Bom, depois de algum tempo volto a escrever no meu esquecido portfólio. Boa parte por pressão acadêmica, mas a vontade de escrever sempre residiu em minhas faculdades mentais. Não é a toa que eu adoro escrever letras de músicas na aba do meu caderno que ganhei no estágio extracurricular na Secretaria Estadual de Saúde. Já tocando no assunto, posso dedicar este post a minha experiência que já completa pouco mais de dois meses de vivência neste importante órgão para a saúde pública. Começo dizendo uma coisa: To levando um pau. É verdade. Quando trabalhava na empresa de informatização do SUS, eu estava acostumado a procedimentos mais burocráticos. "Cuida o que tu falas", "Tem que seguir o fluxo", "Pop's e protocolos". Apesar da incrível experiência de trabalhar com atores da Atenção Básica do município de Porto Alegre, sentia o processo normativo e um tanto burocrático. Hoje, na SES, trabalho como estagiário dentro do Planejamento. Ou seja, nós pensamos. Sim, planejamos ações, pensamos sempre de acordo com os princípios do SUS, ações e políticas que irão impactar na âmbito da saúde pública no RS. Meu chefe é uma pessoa maravilhosa, psicólogo e mestre em SAÚDE COLETIVA, está em andamento com o doutorado que leva a tese sobre os coletivos na saúde. Quero mais o que? Parte deste cenário é completado por meus colegas, que dão segmento ao fomento da qualidade do meu aprendizado e da minha colega estagiária do curso de Políticas Públicas da UFRGS (curso muito interessante por sinal!). Hoje sinto mais liberdade para perguntar, arriscar alguns palpites, trazer o universo da saúde coletiva para dentro do panejamento e levar as experiências da ASSTEPLAN para a sala de aula.
Por enquanto, estou bem a vontade por lá. Sinto algumas dificuldades, é verdade. Preciso estudar e me aprofundar em alguns conceitos e políticas. Tô começando...
Valeu!
Dirigindo o carro, me deparo com uma Ipiranga lotada. Lotada de almas balbuciando palavras de justiça e exalando o mais doce cheiro de vinagre. Logo fui conversar com um taxista que estava a minha frente. O que ouço? "TEM QUE DESCER O CACETE NESSE BANDO DE FILHA DA PUTA". Será mesmo, meu senhor? Logo tu, de tanta idade e que tanto viveu? Me digas que não vais encher os olhos de água por poder reviver algo que já passou pela sua história? De poder recapitular todo um sentimento? Então, estaciono o carro e me junto, por alguns minutos, aos gritos e ao doce cheiro do vinagre com uma sensação única de estar figurando dentro de um filme em que o protagonista é povo brasileiro.
Só não vamos esquecer: Nossas armas são as flores, os amores e as palavras. Não coquetéis molotv. Não somos iguais a eles. Não é mesmo?
Texto redigido dia 18 de junho de 2013